Diante das inúmeras questões que têm surgido acerca do uso de vitamina D para melhorar a imunidade de crianças e protegê-las da doença causada pelo novo coronavírus (Covid-19), o Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), emitiu, em 21 de abril de 2020, a Nota de Alerta “Vitamina D e Covid-19”, com o intuito de esclarecer e orientar os pediatras a respeito do tema.

Vitamina D e Covid-19

De acordo com a SBP:

Existem evidências experimentais de que a vitamina D colabore na modulação do sistema imunológico, visto que, entre outros dados, linfócitos e macrófagos expressam receptores para essa vitamina. Todavia, os estudos que descreveram uma função protetora da vitamina D contra infecções respiratórias virais evidenciaram eficácia somente nos pacientes que apresentavam deficiência acentuada desse nutriente. Ademais, o fato da deficiência de vitamina D ser encontrada em condições mais relevantes de infecções respiratórias virais agudas não quer dizer que exista uma relação causal que sugira sua reposição.

Em indivíduos normais, os depósitos de vitamina D no organismo são suficientes para preservar os níveis séricos normais, mesmo havendo exposição limitada à luz solar. Portanto, não existe indicação de suplementação de vitamina D durante a quarentena da Covid-19, mesmo havendo menos chances de se fazer atividades ao ar livre e com a diminuição da exposição ao sol.


  • Indicações de suplementação/reposição de vitamina D durante a quarentena:

Insuficiência ou deficiência comprovada de vitamina D (medida por exame laboratorial);

Doenças que contraindiquem exposição solar (exemplo: lúpus eritematoso).

 

  • Diagnóstico: dosagem laboratorial dos níveis séricos da 25(OH)Vitamina D.

Global Consensus Recommendations on Prevention and Management of Nutritional Rickets, 2016

Suficiência: > 20 ng/mL

Insuficiência: 12 a 20 ng/mL

Deficiência: < 12 ng/mL

Toxicidade: > 100 ng/mL

 

  • Diagnóstico: dosagem laboratorial dos níveis séricos da 25(OH)Vitamina D.

Global Consensus Recommendations on Prevention and Management of Nutritional Rickets, 2016

Suficiência: > 20 ng/mL

Insuficiência: 12 a 20 ng/mL

Deficiência: < 12 ng/mL

Toxicidade: > 100 ng/mL

  • Em condições de insuficiência ou deficiência de vitamina D, o tratamento deve ser realizado com a reposição de colecalciferol (vitamina D3), um metabólito mais ativo do que o ergocalciferol (vitamina D2). Essas doses podem ser feitas diariamente ou semanalmente, segundo a orientação médica.

Global Consensus Recommendations on Prevention and Management of Nutritional Rickets (2016)

Menores de 1 ano de idade: 2000 UI/dia, via oral, por 12 semanas

Entre 1 e 12 anos de idade: 3000 a 6000 UI/dia, via oral, por 12 semanas

Maiores do que 12 anos: 6000 UI/dia, via oral, por 12 semanas

 

  • Superdosagem: indivíduos amedrontados com os informes da mídia sobre um papel hipotético da vitamina D de protetora da COVID-19 e também devido às dificuldades de atendimentos médicos podem se auto prescrever doses inadvertidamente altas da vitamina. 

Intoxicação pela vitamina D, Náuseas / Vômitos, Astenia, Constipação, Desidratação, Nefrolitíase, Confusão mental

  • Um aporte de vitamina D apropriado durante a quarentena da COVID-19 pode ser obtido através de:

⇒ 80 a 90% do aporte: Exposição de braços e pernas ao sol, sem protetor solar, 15 minutos ao dia (evitar o horário entre as 10 e 16 horas – maior intensidade de raios ultravioleta B (UVB);
⇒ 10 a 20% do aporte: Consumir alimentos ricos em vitamina D (como salmão, atum e sardinha) infelizmente não fazem parte dos hábitos alimentares da maioria dos brasileiros

 

Fonte: pbmed.com.br